27 de agosto de 2011

Vai ser Mamãe? Então Saiba do que Seu Bebê Precisa!..



A descoberta de uma gravidez é sempre motivo de muita alegria. Mas, também gera muita ansiedade porque ter um ser sendo gerado dentro de si é uma grande responsabilidade. E esta responsabilidade não se dá apenas após o parto, mas sim desde a concepção e desenvolvimento intra-útero. A mãe é a responsável pelo fornecimento de nutrientes que irão promover o crescimento do feto e é aí que seu papel de mãe se inicia, saber fazer boas escolhas alimentares para gerar um bebê saudável.

Sabe aquela história que na gravidez você precisa se alimentar por dois? Na, na, ni, na, NÃO! Durante a gestação a maioria das mulheres ganha peso, mas elas não precisam ganhar uma quantidade ilimitada de peso, pois será difícil perder este excesso depois do parto e pode trazer complicações como diabetes e hipertensão. Basta que sejam acrescentadas à dieta 300 calorias por dia para manter uma gravidez saudável. O Institute of Medicine em seu último protocolo estabeleceu como aceitável um ganho de peso de 0,5 a 2 quilos durante o primeiro trimestre da gravidez.

A gestação não é um período para dietas, muito menos para comer o que quiser como se não houvesse amanhã. Se sua alimentação não é das mais equilibras, é uma excelente fase para buscar ajuda e mudar de vez maus hábitos visando a melhora do seu bem estar e do desenvolvimento saudável do seu bebê.

Um estudo fresquinho que saiu semana passada descobriu que o que uma mulher come durante a gravidez forma as preferências do bebê em relação a determinados alimentos na fase adulta. Um bebê é cercado e alimentado no líquido amniótico, que é preenchido com os sabores do que a mãe tenha comido. Os bebês se alimentam com o sabor do líquido amniótico, formando memórias desses sabores, mesmo antes do nascimento. Estas memórias resultam em preferências para estes alimentos mais tarde em sua vida. Portanto, você é o que você come e seu bebê será no futuro o que você comeu!

Segundo os pesquisadores, baunilha, cenoura, alho, anis, hortelã, são alguns dos sabores que foram mostrados para ser transmitidos ao líquido amniótico ou leite materno. Por exemplo, comer brócolis, durante a gravidez melhora as chances de seu bebê comer brócolis mais do que outro bebê, cuja mãe não come brócolis.

A dieta da mãe durante a gravidez pode alterar o DNA de seu filho, e aumentar o risco de obesidade, segundo pesquisadores da British Heart  Foundation. O estudo, mostrou   que comer muito carboidrato pode alterar o DNA. Alterações na dieta podem alterar a  função dos genes – conhecidos como mudança epigenética.

A pesquisa sugere que as mulheres devem seguir os conselhos dos médicos e nutricionistas em relação à melhora dos hábitos alimentares durante a gestação. Pois estes hábitos podem ter uma influência à longo prazo sobre a saúde do bebê após o nascimento.

As futuras mamães que comem vegetais todos os dias têm crianças com menor propensão a desenvolver o diabetes tipo 1, segundo um estudo feito na Universidade de Gotemburgo (Suécia) que foi publicado no jornal Pediatric Diabetes. No diabetes do tipo 1, determinadas células no pâncreas gradualmente perdem a capacidade de produzir insulina, levando à deficiência do hormônio. Crianças com risco de desenvolver o diabetes tipo 1 têm anticorpos em seu sangue que atacam essas células produtoras de insulina.

Esses marcadores de risco eram duas vezes mais comuns em crianças cujas mães raramente comeram vegetais durante a gravidez. O risco foi o mais baixo entre as crianças cujas mães afirmaram ter comido vegetais todos os dias durante a gravidez.

O consumo de muita gordura pela mãe durante a gravidez pode levar o bebê a ter sérios problemas no fígado, segundo estudo da Universidade de Southamptom, no Reino Unido. Publicados na revista médica Hepatology, os resultados indicaram uma associação entre uma alimentação rica em gordura na gestação e os riscos do filho desenvolver, posteriormente, doença hepática gordurosa não-alcoólica – condição associada à obesidade e marcada pelo acúmulo de gordura no fígado. 

Associação Dietética Americana (ADA) preconiza que as recomendações de fibras dietéticas para gestantes sejam as mesmas indicadas para o restante da população. Deve variar de 20 a 35g/dia, tanto das fibras solúveis quanto das insolúveis. 

A gestação por si só predispõe a sintomas desconfortáveis do hábito intestinal, consequente de alterações mecânicas e hormonais, que variam entre os indivíduos. A prevalência de constipação entre gestantes é de aproximadamente 40%. 

Em todos os estágios da gestação, e principalmente no último trimestre, as fibras dietéticas merecem atenção especial. A terapia ideal inclui aumentar a ingestão de fibras através da dieta e suplementos de fibras solúveis.Mas não se esqueça que ao aumentar o consumo de fibras deve-se aumentar a água ingerida diariamente, senão o efeito pode ser o contrário, pode piorar a constipação.

O número de porções do grupo de fibras dietéticas que a gestante deve incluir em sua dieta, são: 3 porções de frutas, 4-5 porções de vegetais ou folhas verdes e 7-8 porções de cereais integrais e legumes.

Uma das melhorias que as gestantes podem fazer na dieta é aumentar o consumo dos peixes (sardinha, salmão, atum, arenque) para 2 vezes por semana. Este consumo deve ser mantido também durante a lactação de acordo com um estudo publicado em setembro no American Journal of Clinical Nutrition, que demonstrou que ômega-3 presente nos peixes passa para o leite materno sendo benéfico ao desenvolvimento infantil. No estudo bebês cujas mães faziam uso dos peixes tinham melhores notas nos testes de desenvolvimento aos 6 e aos 18 meses de vida. Outra pesquisa, mas feita pela Universidade de Connecticut, demonstrou que o consumo durante a gravidez do ácido docosahexaenoico (DHA), um ácido graxo poliinsaturado da série ômega-3, durante a gravidez reduz o risco de depressão pós-parto.

Dicas Gerais Durante a Gestação:

- Troque o que for branco/refinado por suas versões integrais, como pão, arroz, macarrão;
- Aumente o consumo de água e líquidos;
- Consuma pelo menos 3 frutas ao dia e 4 tipos de legumes/verduras de cores diferentes, de preferência tudo orgânico;
- Consuma carnes sempre bem cozidas, nada mal passado, muito menos crú;
- Fracione suas refeições em pequenos volumes para evitar azia, náuseas. Faça no mínimo 5 refeições;
- Coma devagar, mastigue bem os alimentos;
- Evite fast foods, frituras, refrigerantes, doces, cafés, bebidas alcoólicas.

Referências Bibliográficas:

- How Do You Stop Tasting? Monell Center Advancing Discovery in taste and Smell. Disponível aqui
- Maternal diet and aging alter the epigenetic control of a promoter-enhancer interaction at the Hnf4a gene in rat pancreatic islets. PROCEEDINGS OF THE NATIONAL ACADEMY OF SCIENCES OF THE UNITED STATES OF AMERICA  Volume: 108   Issue: 13   Pages: 5449-5454
- Daily vegetable intake during pregnancy negatively associated to islet autoimmunity in the offspring - the ABIS study.  Pediatric Diabetes. Disponível aqui
- Maternal high-fat feeding primes steatohepatitis in adult mice offspring, involving mitochondrial dysfunction and altered lipogenesis gene expression. Hepatology, 2009
Essential n–3 fatty acids in pregnant women and early visual acuity maturation in term infants.American Journal of Clinical Nutrition, Vol. 87, No. 3, 548-557, March 2008 
- Maternal docosahexaenoic acid (DHA 22:6n-3) consumption during pregnacy decreases postpartum depression (PPD) symptomatology. The FASEB Journal. 2011. 25:349,7. 











Fonte: 
Liga da Saúde