7 de setembro de 2012

Fatores emocionais explicam casos de obesidade infantil...



Além dos hábitos alimentares e do estilo de vida, um aspecto essencial pode estar relacionado à obesidade infantil: o fator emocional.
Ana Rosa Gliber e Avelino Luiz Rodrigues, da USP, estudaram a relação entre o ganho de peso e situações traumáticas ou de perda.
Eles analisaram a personalidade de crianças que não possuíam transtorno orgânico que justificasse a obesidade.
Os pesquisadores constaram que o ganho de peso dessas crianças estava associado a situações de perda e características de personalidade.
A ingestão excessiva de alimentos é uma tentativa de compensação. Comer demais, para elas, é uma forma de amenizar o sofrimento e trazer tranquilidade.
"Elas tentam preencher o vazio emocional e lidar com os problemas comendo, pois essa é uma forma de manter algo bom dentro de si. Se você tira isso, ela sente que perdeu algo bom", afirma.
Ana Gliber também observou, em todos os casos, a presença de um problema amplamente discutido nos dias atuais: o bullying, ato de intimidação ou agressão, que pode ser psicológica ou física, praticado geralmente por um grupo de pessoas.
As crianças passavam por situações do tipo, que as levavam ao isolamento e à depreciação de si, o que agravava ainda mais a questão psicológica que levava à obesidade.
Com problemas como esse na base, o tratamento recomendado para a obesidade dessas crianças não pode se restringir à dieta alimentar.
A psicoterapia pode ser fundamental para o tratamento do problema.
As crianças analisadas na pesquisa precisavam de psicoterapia para lidar com as situações de vida penosas e sua relação com a comida, além dos tradicionais cuidados médicos e nutricionais.
Ana também enfatiza a importância de um tratamento preventivo: sabendo que algumas características de personalidade, situações de perda e tipo de relação familiar podem contribuir para o desenvolvimento da obesidade, pode-se tentar evitá-la havendo a intervenção precoce em casos como esses.
"Vendo a história de vida dessas crianças, fica claro o quanto a parte psicológica influencia na obesidade", ressalta.
Por esses motivos, Ana defende a atuação do psicólogo nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Fonte: Diário da Saúde