4 de novembro de 2015

Dieta mediterrânea protege da depressão. segundo estudo...



Adotar uma dieta mediterrânea ou outras que incluam alimentos como frutas, vegetais, legumes e nozes — deixando de lado as carnes processadas — pode prevenir sintomas de depressão, de acordo com um levantamento publicado na revista científica on-line “BMC Medicine”. Um estudo realizado com 15.903 pessoas sugere que a doença poderia estar ligada a deficit de nutrientes.

Após uma extensa pesquisa sobre a dieta e seus efeitos sobre nossa saúde física, os cientistas agora exploram a ligação entre a nutrição e a saúde mental. Esta é a primeira vez que diversos padrões alimentares saudáveis e sua associação com o risco de depressão foram analisados em conjunto.

Os pesquisadores compararam três dietas: a mediterrânea, uma vegetariana e a Alternativa Alimentação Saudável Index-2010 — que combina nutrientes conhecidos por sua prevenção contra doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Os participantes usaram um sistema de pontuação para medir sua adesão a uma das dietas selecionadas — ou seja, quanto maior fosse a pontuação, maior seria o sinal de que eles ingeriam uma dieta mais saudável.

Itens alimentares como carne e doces (fontes de gorduras animais: ácidos graxos saturados e trans) foram marcados negativamente, enquanto nozes, frutas e verduras (fontes de ácidos graxos ômega-3, vitaminas e minerais, respectivamente) foram avaliados de modo positivo.

Queríamos entender o papel que a nutrição desempenha na saúde mental, porque acreditamos que determinados padrões alimentares podem proteger nossas mentes — explica Almudena Sanchez-Villegas, da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria (Espanha), autora principal da pesquisa. — Todas estas dietas estão associadas com benefícios à saúde física, e agora vemos que elas também poderiam ter um efeito positivo sobre nossa saúde mental.


O estudo começou em 1999 com 15.093 participantes que não registravam quadro de depressão. Além de seus padrões alimentares, outros fatores consideráveis para determinar sua qualidade de vida, como diabetes e obesidade, também foram acompanhados pelos cientistas.

Dez anos depois, 1.550 já registravam um diagnóstico clínico de depressão ou usavam antidepressivos.

Existe uma diferença perceptível quando os participantes começaram a seguir uma dieta saudável — conta Almudena. — Mesmo uma adesão moderada a estas dietas saudáveis foi associada com uma importante redução no risco de desenvolvimento de depressão. No entanto, não vimos benefícios extras para aqueles que mostraram uma adesão muito elevada às dietas. Portanto, uma vez que determinado limiar é atingido, o risco de desenvolver sintomas de depressão é o mesmo entre aqueles que fizeram uma dieta moderada e outros que optaram por uma mais radical.

Fonte: O Globo