22 de junho de 2008

1 CASTANHA POR DIA......





Cabe na palma da sua mão, e ainda sobra um espaço e tanto, a arma que vai superproteger as unidades microscópicas do seu organismo. Em segundos, ao mastigar uma única castanha-do-pará, você recarregará os níveis de um mineral extremamente importante para uma vida longa e saudável: o selênio. A pequena oleaginosa repõe a quantidade do nutriente necessária para dar combate ao envelhecimento celular, causado pela formação natural daquelas incansáveis moléculas que danificam as células, os radicais livres.

As castanhas produzidas no Norte e no Nordeste do país são tão ricas em selênio que bastaria uma unidade para tirar o mesmo proveito. A recomendação é de que um adulto consuma, no mínimo, 55 microgramas por dia. E com uma unidade da nossa castanha já é possível encontrar bem mais do que isso de 200 a 400 microgramas do bendito selênio. Aliás, o limite de consumo diário do mineral é de 400 microgramas, portanto, não vá com muita fome ao pote. No caso de uma criança, meia castanha seria suficiente.

E por que toda essa fama do selênio? Ele é essencial para acionar enzimas que combatem os radicais livres, também teria um papel especial na proteção do cérebro. É que, com essa capacidade de acabar com a farra dos radicais livres, as células nervosas seriam preservadas, evitando o surgimento de doenças neurodegenerativas com a idade.

A tireóide também funciona melhor na presença do selênio. Isso porque, se não houver esse elemento, ela não consegue produzir direito seus célebres hormônios. O mineral também está intimamente associado à capacidade de o organismo se livrar de substâncias tóxicas, ajudando-o inclusive a expulsar possíveis metais pesados que se alojam nas células.

Apesar de tudo isso, o badalado selênio deve ser apreciado com moderação. Quando os especialistas recomendam uma castanha diária, é para segui-lo à risca. Acredite: o conselho não é nem um pouco mesquinho. Esse consumo ideal e comedido é que faz todas essas enzimas que dependem do nutriente trabalharem de forma adequada. Quem experimentar ataques sucessivos de gula poderá sentir dor de cabeça, ficar com as unhas fracas e ver seus cabelos caírem.

E saiba: nem o fogão nem a geladeira conseguem detonar as reservas de selênio. No dia-a-dia, porém, nada melhor do que a praticidade de botar na mochila, no bolso ou na bolsa a sua estrela solitária. É saúde na medida certa!

EXERCÍCIOS AERÓBICOS REDUZEM INFLAMAÇÕES AGUDAS



O exercício físico aeróbico pode diminuir em até 30% as manifestações inflamatórias agudas. Testes feitos em ratos constataram que a atividade física constitui uma importante aliada no controle da reação inflamatória. "O exercício físico mostrou-se um antiinflamatório natural, que atua nas doenças crônicas e, sabemos agora, também nas situações agudas", afirma um dos autores da pesquisa, o cirurgião torácico Ricardo Kalaf.
Nesse contexto, a descoberta abre o leque para os efeitos positivos em situações de inflamações manifestadas por agressão física, química, alérgica ou microbiana, assim como reafirma a importância da prática regular de exercícios.
As conclusões constam de estudo interdisciplinar coordenado pelos professores Ricardo Kalaf, da disciplina de Cirurgia Torácica; Edson Antunes, do Departamento de Farmacologia, ambos da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e, pela professora Angelina Zanesco, da área de Educação Física da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), de Rio Claro, São Paulo. Os resultados foram publicados na revista científica internacional European Respiratory Journal, de grande impacto científico.
Kalaf explica que outros trabalhos publicados anteriormente já indicavam os efeitos benéficos do exercício físico no retardo ou prevenção de várias doenças crônicas como mal de Parkinson, Alzheimer, aterosclerose, hipertensão arterial, diabetes e do próprio envelhecimento através da modulação da resposta inflamatória crônica de baixo grau.
Em paralelo, linhas de pesquisa realizadas na Unicamp se preocuparam em verificar os mecanismos envolvidos em problemas originados nos pulmões e suas implicações. Mesmo o trabalho de doutoramento de Kalaf, orientado pelo professor Ivan Toro, foi nesta direção. As duas vertentes de estudo fizeram com que suscitassem nos pesquisadores das duas universidades paulistas o questionamento em relação à possível resposta da atividade física em uma inflamação de caráter agudo.
"A pergunta era se o exercício físico permitiria regular ou modular o processo durante a inflamação aguda, já que é fato que consiga controlar as inflamações crônicas de baixo grau", esclarece. Foram dois anos de pesquisas até conseguirem os primeiros resultados satisfatórios.
O processo inflamatório no organismo humano, segundo o cirurgião, é extremamente complexo e multifacetado, sendo difícil estabelecer graus de intensidade. O quadro é desencadeado por substâncias químicas ativadas pelas células danificadas. Até determinado estágio, a reação inflamatória constitui um fator de proteção, pois alertam para alguma anormalidade nos órgãos.
O problema, no entanto, é quando esta resposta fisiológica ganha intensidade e torna-se deletéria ao organismo, podendo, inclusive, causar a morte. Kalaf explica que, muitas vezes, a reação inflamatória do organismo a uma agressão é tão prejudicial quanto o próprio fator causal.
"Toda medicação é considerada uma droga se for mal empregada. Em dosagens baixas pode não surtir efeito, mas, em altas, as conseqüências podem ser prejudiciais. Da mesma forma, funciona a inflamação. É difícil identificar o limite entre o fator protetor e o nocivo. Por isso, a importância de se testar alternativas que regulem o processo inflamatório para que em eventos agudos seja um fator de proteção e não tenham efeito prejudicial".
Substâncias químicas
A idéia de realizar os estudos em ratos surgiu, justamente, pelas dificuldades em se detalhar os mecanismos da reação inflamatória aguda em situações críticas, impossíveis de serem testados em humanos.
Num primeiro momento, os ratos foram submetidos a quatro semanas de exercícios regulares. Como o metabolismo nos animais é muito mais rápido, o período de atividade física corresponderia a uma média de seis meses de exercícios regulares praticados por humanos.
Dois dias após o treinamento anaeróbio, os pesquisadores submeteram os animais a um quadro de isquemia e reperfusão pulmonar - interrupção e restabelecimento da circulação pulmonar - provocando uma resposta inflamatória aguda naquele órgão.
Com esses procedimentos foi possível verificar uma redução significativa das interleucinas, uma das substâncias eliminadas no sangue responsável por desencadear o processo inflamatório. Os neutrófilos, classe de células sanguíneas mais importantes para a proteção do indivíduo, também tiveram a infiltração reduzida, uma vez que o aumento excessivo dessas células pode intensificar a inflamação aguda.
Outra manifestação do processo inflamatório, o edema, que consiste em um acúmulo anormal de líquido nos tecidos dos pulmões, também teve uma forte diminuição. "Os resultados foram positivos nos três aspectos envolvidos na inflamação - celular, vascular e humoral", define o cirurgião.
Ricardo Kalaf explica que pesquisas anteriores embasaram o desenvolvimento da pesquisa e contribuíram para os resultados. A Unesp já possuía protocolo reconhecido pela literatura para o ensaio com os animais, assim como a metodologia para o treinamento aeróbico dos ratos. Os parâmetros farmacológicos já eram referendados pelos pesquisadores da disciplina de Farmacologia, o que facilitou ainda mais os testes de modulação.
Segundo Kalaf, ainda existem mecanismos na modulação da inflamação relacionados ao condicionamento físico que não estão devidamente esclarecidos e, por isso, os estudos carecem de outras etapas de desenvolvimento.
Inflamação e cirurgia pulmonar - A linha de pesquisa denominada Inflamação e Cirurgia Pulmonar, vinculada à FCM, é relativamente nova. Há três anos, os professores envolvidos buscam respaldo científico em muitas das afirmações que são intuitivas na prática diária. Neste sentido, as abordagens dos trabalhos, muitas vezes, exigem a interdisciplinaridade, aspecto perseguido pela equipe de pesquisadores. "São temas promissores, mas há uma exigência de parcerias com profissionais de outras áreas como ciências fundamentais, cirurgia e clínica", acredita.
Como resultado, a linha de pesquisa já acumula outros estudos publicados em revistas científicas, basicamente sobre temas relacionados à isquemia e à repercussão pulmonar, e a outros órgãos.
Kalaf explica que o pulmão pode sofrer repercussões inflamatórias originadas em outros órgãos, como por exemplo, a pancreatite e a isquemia intestinal. Ocorrem também inflamações no próprio órgão, caso da pneumonia, trauma, tromboembolismo pulmonar, entre outras. "O pulmão é um órgão extremamente sensível e funciona como um grande filtro no corpo humano", destaca.
Fonte: Jornal da Unicamp

FUNCIONÁRIOS QUE PRATICAM EXERCÍCIOS FÍSICOS AJUDAM OS NEGÓCIOS



O National Institute for Health and Clinical Excellence (Nice) lançou uma campanha que aponta: A inatividade física custa cerca de R$ 27 bilhões por ano, o que inclui custos indiretos causados por faltas ao trabalho de empregados por conta de problemas de saúde.
Em 2006, foram perdidos 175 milhões de dias de trabalho na Grã-Bretanha, por causa de faltas de funcionários doentes. Em média, trabalhadores na Grã-Bretanha faltam 8,4 dias de trabalho por ano por conta da saúde.
Não é a toa que o governo britânico oferece benefícios fiscais para as empresas que promovem exames de saúde para todos os funcionários. De acordo com a Nice, uma força de trabalho ativa e saudável pode diminuir o número de faltas por conta de problemas de saúde em 27% dos casos.
O Nice também ressalta os benefícios não quantificáveis dos exercícios para os negócios: aumento de produtividade de funcionários e melhor reputação da empresa por promover o bem-estar dos funcionários.
A entidade recomenda caminhar ou pedalar em parte do percurso para o trabalho e a velha tática de usar as escadas, ao invés dos elevadores. As duas atitudes, além de serem saudáveis, são ecologicamente corretas. Sem utilizar seu carro, menos poluição. Sem utilizar o elevador, economia de energia elétrica.
65% dos homens e 76% das mulheres, acima dos 16 anos não se exercitam o suficiente na Grã-Bretanha. O limite mínimo estipulado é de meia hora diária de exercícios moderados, cinco vezes por semana.
Fonte: Redação Saúde em Movimento

7 de junho de 2008

ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA, CORAÇÃO SÁUDÁVEL

Bons hábitos alimentares previnem doenças e garantem a saúde do coração.


Nos últimos vinte anos, com evoluções e mudanças sociais, a exemplo da afirmação da mulher no mercado de trabalho, muitos hábitos foram modificados. Um deles é a alimentação. A rotina de atividades está cada vez mais atribulada e com isso, a praticidade se tornou essencial, inclusive na hora de comer. A indústria alimentícia rapidamente passou a acompanhar essa nova fase e a atender a necessidade das pessoas.

Lasanhas, sanduíches, peixes e até saladas pré-prontas agilizam o curto momento da refeição e, além de matar a fome, acrescentam ao indivíduo uma excessiva quantidade de gorduras trans (gordura modificada com acréscimo de hidrogênio) e conservantes. O resultado não poderia ser outro senão o surgimento de doenças, principalmente as coronarianas. Casos de infarto podem atingir pessoas não fumantes, mas que são sedentárias e têm uma dieta alimentar inadequada com o predomínio de comidas gordurosas. O susto e a preocupação surgem ao fazerem exames de rotina, como o do nível de colesterol, e perceberem que superam o limite desejável. Em situações como essa, a solução é controlar os índices através da alimentação.

A gordura não é uma vilã, mas deve ser consumida com cuidado. A gordura faz parte de 30% da alimentação diária. O colesterol pode estar presente nas refeições em até 200 miligramas/dia, mas é recomendável que se coma alimentos em preparações grelhadas, cozidas ou assadas, com menos calorias e gorduras.

As fibras tem um papel importante na alimentação: tanto as solúveis, que controlam a glicose e o colesterol sangüíneo, quanto as insolúveis, que melhoram o ritmo intestinal, são importantíssimas. Todo mundo já deve ter ouvido falar que saudável é um prato colorido, com vários tipos de vegetais, hortaliças e grãos.

Outro auxílio à prevenção de doenças do coração é o ômega 3. Presente em peixes como sardinha, atum e cavala, estimula a produção de ácidos como o DHA e o EPA que funcionam como um fator de proteção do coração, evitando a formação de trombos na corrente sangüínea e diminuindo o risco de infarto. Está presente também na semente de linhaça, que levemente picada e misturada à comida colabora com a saúde do coração.

O que ainda dificulta a escolha do alimento certo, são os rótulos dos alimentos. Até para os profissionais é difícil decifrar algumas substâncias presentes nos alimentos, imagine para os consumidores leigos. No entanto, é importante manter-se informado a respeito dos alimentos mais saudáveis, moderar a ingestão de alimentos calóricos e não deixar de fazer atividades físicas, para melhor o controle do peso corporal.

RISCO PRECOCE


Com as mudanças nos hábitos de vida, como alimentação inadequada e ausência de atividade física regular, cada vez mais crianças e adolescentes estão sujeitos à aterosclerose, de acordo com uma pesquisa feita na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo, publicado na Revista Paulista de Pediatria, constatou valores alterados de colesterol, LDL-colesterol (“colesterol ruim”) e triglicérides, respectivamente, em 44%, 36% e 56% das crianças de 2 a 9 anos avaliadas. A alteração apareceu em 44%, 36% e 50% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos.

A pesquisa envolveu 1.937 crianças e adolescentes de 2 a 19 anos, de ambos os sexos, de diferentes classes socioeconômicas, atendidos nos ambulatórios do Hospital de Clínicas da Unicamp, no período de 2000 a 2007. De acordo com a autora principal do estudo, Eliana Cotta de Faria, professora da FCM da Unicamp, o objetivo era estabelecer a prevalência de dislipidemias, o aumento anormal da taxa de lipídios no sangue, em uma amostra populacional brasileira ambulatorial de crianças e adolescentes.

Segundo ela, a dislipidemia nessa faixa etária está cada vez mais prevalente, provavelmente devido às mudanças nos hábitos alimentares, à obesidade e ao sobrepeso associados à redução na prática de atividades físicas regulares com o estabelecimento de vida sedentária. “Deve-se sempre enfatizar que existe uma associação entre fatores ambientais e genéticos na etiologia das dislipidemias. Outro aspecto a destacar é o fato de o estudo ter envolvido uma amostra populacional que procurou o serviço hospitalar, o que naturalmente seleciona os casos que espelham a realidade da população geral”, disse à Agência FAPESP.

A pesquisadora afirma que diversos estudos demonstram que a doença arterial coronariana (DAC) se inicia na infância de forma silenciosa, progredindo significativamente com o decorrer dos anos. “O diagnóstico precoce da dislipidemia, cada vez mais freqüente em crianças e adolescentes, é essencial para a prevenção dessa doença, especialmente quando existem na família antecedentes de fatores de risco para a DAC”, salientou. Os índices encontrados podem ser explicados tanto por fatores ambientais como genéticos. Pode ocorrer uma associação entre fatores ambientais e genéticos na etiologia das dislipidemias. Em alguns casos, existem deficiências genéticas familiares em enzimas, proteínas e receptores celulares responsáveis pelo catabolismo dos lípides e lipoproteínas circulantes, o que leva a graves elevações de suas concentrações e que constituem as dislipidemias primárias que são independentes dos fatores ambientais.
“Em crianças, pode ocorrer o quadro grave de pancreatite aguda secundária à elevação de triglicérides. Ressalto que o tratamento e acompanhamento medicamentoso, nessa faixa etária, devem ser reservados aos casos muito graves, aqueles com complicações, e os sem resposta ao tratamento inicial de mudanças de estilo de vida, pois a experiência maior na literatura com os fármacos hipolipemiantes se restringe a adultos”, afirmou Eliana. Os resultados apontaram ainda uma combinação de vários problemas como aumento do colesterol total (hipercolesterolemia), aumento de triglicérides (hipertrigliceridemia) e redução da HDL-colesterol (hipoalfalipoproteinemia, o “colesterol bom”), a lipoproteína que retira colesterol dos tecidos e leva para o fígado para excreção biliar.

“A combinação desses resultados demonstrou a gravidade do problema e um aumento do risco de desenvolver DAC, pois, além de a criança ter uma elevação nos níveis de colesterol e triglicérides, ela tem uma redução da HDL”, disse Eliana. A pesquisadora da Unicamp ressalta que a prevalência da síndrome metabólica (dislipidemia, obesidade e glicose alta) em crianças e adolescentes cresceu muito na última década com aumento nas taxas de sobrepeso e obesidade em crianças entre 2 e 5 anos.
Hábitos saudáveis
Há poucos estudos sobre a prevalência de dislipidemias entre crianças e adolescentes no país, segundo a autora. Os estudos são raros, mas a maioria demonstra alta taxa nessa faixa etária. “Como não é comum a análise do perfil lipídico no sangue entre crianças e adolescentes, poucos centros têm uma amostragem significativa para a realização de um estudo como este”, disse Eliana. De acordo com a professora da FCM, o estudo prosseguirá com a avaliação dos lípides circulantes de diferentes comunidades de crianças e adolescentes na região e no país para quantificar o impacto sobre eles da condição socioeconômica, dos hábitos alimentares e de atividade física sobre o perfil lipídico. “Precisamos implantar programas educacionais nas escolas que enfatizem a importância de hábitos alimentares saudáveis, abolir a obesidade e sobrepeso e da prática de atividades físicas regulares, além de proceder às análises periódicas dos lípides sangüíneos sempre que houver um ou mais fatores de risco cardiovasculares associados e procurar orientação médica especializada para tratamento quando necessário”, destacou.


Fonte: Agência FAPESP