2 de setembro de 2011

Sou Diabético! E agora? O que eu posso comer?




Todos somos suscetíveis a doenças e, na minha opinião,  um dos problemas de saúde que deixa o indivíduo mais “chateado” é o diabetes, não só pela doença em si, mas pelas restrições alimentares que são impostas. Nossa cultura está diretamente relacionada com a comida e tudo é motivo para um almoço, para fazer o doce que a filha mais gosta e por aí vai.

Assim que recebe o diagnóstico de diabetes, a primeira coisa que se pensa é na restrição alimentar: o que posso e o que não posso comer? É muito estressante para a pessoa ouvir que nunca mais pode comer isso ou aquilo, mas a dieta do diabéticos diz respeito mais ao que colocar no consumo diário, e não o que deve ser retirado dele.

Escolher os alimentos corretos e comê-los em quantidades adequadas podem fazer toda diferença numa das principais causas do diabetes tipo 2: a resistência à insulina. O melhor aliado do diabético é uma alimentação saudável e equilibrada e exercícios físicos.

Os diabéticos precisam ingerir carboidratos, frutas, verduras, proteínas e gorduras. Mas, além da preocupação com a resistência à insulina, há certa inquietude quanto ao índice glicêmico do sangue, que pode ser elevado em poucos minutos dependendo do alimento que foi consumido.

Farinha branca, arroz e batata são alimentos de alto índice glicêmico. Eles contêm o tipo de carboidrato que é digerido rapidamente, levando uma grande quantidade de açúcar para o corpo. Os carboidratos são rapidamente absorvidos e assim criam picos de glicose indesejáveis. Quanto maior o tempo que o alimento precisa para ser digerido e absorvido, menor a elevação aguda da glicose. Por isso, recomenda-se que se usem alimentos integrais, que, pelo conteúdo maior de fibras, são absorvidos mais lentamente.

Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

Diariamente saem estudos novos que associam determinados alimentos a prevenção e/ou tratamento do diabetes, vamos ver alguns que podem ser úteis e aplicáveis ao nosso dia-a-dia:

Segundo pesquisadores do Instituto de Ciência do Metabolismo do Hospital Addenbrooke, na Inglaterra, você tem mais um motivo para incluir frutas e vegetais na sua dieta: alimentos ricos em vitamina C reduzem o risco de desenvolver diabetes.

Indivíduos que possuíam maiores quantidades apresentaram 62% menos propensão a desenvolver o problema. A substância parece prevenir o surgimento de radicais livres que danificam as células e interferem no metabolismo da glicose, o que pode causar diabetes. Quem apresentou os maiores níveis de vitamina C comiam, em média, 6,5 porções de frutas e vegetais por dia. A dica é abusar de papaia, morango, laranja, melão-cantalupo, pimentão vermelho e brócolis.

Pesquisa publicada no Journal of Medical Food mostrou que os temperos sálvia e orégano previnem os danos causados pelos níveis elevados de glicose no sangue.

A adição de extrato de ervas e condimentos às proteínas do sangue bloquearam a formação de substâncias químicas que engrossam as paredes das artérias no coração e rins, aumentando o risco de prejuízo a esses órgãos.

A curcumina(açafrão) tem sido relatada como a melhor forma para diminuir lipídios e glicose plasmática em ratos diabéticos e para diminuir o peso corporal em ratos obesos, o que pode em parte ser devido à oxidação dos ácidos graxos e aumento da utilização no músculo esquelético. A conclusão do estudo que foi publicado no Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases foi de que a curcumina melhora a resistência à insulina muscular, aumentando a oxidação de ácidos graxos e glicose.

Um estudo desenvolvido pela Universidade do Oeste de Ontario, no Canadá, aponta que a tangerina pode não apenas prevenir a obesidade, como oferecer também proteção ao diabetes do tipo 2 e à aterosclerose. O estudo descobriu que a substância nobiletina, presente nos gomos da tangerina, é capaz de promover todos estes benefícios.

O consumo diário de chá de camomila junto com as refeições pode ajudar a prevenir complicações decorrentes do Diabetes tipo II, segundo estudo publicado recentemente por pesquisadores do Japão e Reino Unido. Os animais diabéticos que consumiram o extrato de camomila demonstraram uma redução significativa nos níveis sanguíneos de glicose, quando comparados aos ratos diabéticos ingerindo somente dieta padrão. O extrato de camomila também inibiu a atividade da enzima aldose redutase-2. Esta enzima, muito estudada, contribui para o desenvolvimento de complicações diabéticas, como a neuropatia, catarata, retinopatia e nefropatia.

Uma metanálise que avaliou 37 estudos prospectivos concluiu que dietas contendo alimentos com alto índice glicêmico (IG) ou alta carga glicêmica (CG) aumentaram independentemente o risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, câncer de mama, doença cardíaca e de vesícula biliar.

Os autores acreditam que a hiperglicemia pós-prandial em indivíduos sem diabetes é o mecanismo universal que contribui para o desenvolvimento de doenças crônicas. O consumo de alimentos com baixo IG e CG pode evitar esse quadro clínico por meio dos efeitos metabólicos causados na função das células beta do pâncreas, na concentração de triacilgliceróis e ácidos graxos livres, além de ter influência na saciedade.

Um estudo realizado por cientistas americanos sugere que o consumo de cafeína entre pacientes de diabetes tipo 2 pode aumentar o nível de açúcar no sangue. Publicada na revista científica Diabetes Care, a pesquisa, realizada na Duke University, nos Estados Unidos, monitorou o nível de açúcar em 14 pacientes diabéticos e sugere que o estimulante pode aumentar o nível de glicose diário em até 8%.

Para realizar o estudo, os cientistas deram dois tipos de comprimidos para os participantes: um placebo e uma cápsula de cafeína, equivalente a quatro xícaras de café. Segundo os pesquisadores uma das causas do aumento no nível de glicose pode ser a interferência da cafeína no processo que transporta a glicose do sangue para o músculo e outras células do corpo. Além disso, a cafeína pode também ativar a liberação de adrenalina, o que contribui para o aumento no nível de açúcar.

Segundo estudo americano publicado no periódico especializado Journal of the American College of Nutrition, a amêndoa tem propriedades que protegem o corpo contra o diabetes tipo 2 e as doenças cardíacas. Os médicos verificaram que após a introdução no cardápio, houve nos pacientes um aumento da sensibilidade à insulina, o que melhora o processamento de açúcares pelo corpo. 

O diabético também pode necessitar de suplementos, para saber mais leia aqui o post completo do Dr. Telmo Diniz.

Mas vamos ao que interessa, afinal o que o diabético deve inserir em sua alimentação?

- Adicione mais frutas, verduras e legumes nas suas refeições, eles ajudam a reduzir as calorias ingeridas pela quantidades de fibras. Mas atenção, evite vegetais como beterraba e cenoura cozidos, prefira-os crus, pois diminuem o índice glicêmico!

- Aumente o consumo de peixes, principalmente os fontes de ômega-3 como  o salmão e a sardinha que ajudam no controle da glicemia e na prevenção de doenças do cardíacas.

- Amêndoas, nozes, castanha do Brasil, assim como o abacate (sem açúcar, ok?), têm um efeito benéfico no colesterol e ajudam a reverter a resistência à insulina.


Ervas e condimentos como manjericão, cominho, alho, gengibre, hortelã, orégano, alecrim, tomilho e açafrão podem ajudar a controlar glicemia no sangue.

- No café-da-manhã prefira um cereal com alta quantidade de fibras e sem açúcar. Para dar um sabor doce, misture-o com frutas de sua preferência. Esta opção é cheia de nutrientes e demora mais para ser digerida pelo organismo.

- No jantar, prefira as massas de semolina, que têm menor índice glicêmico que as batatas. Incremente com vegetais, tomates, azeite de oliva e outros ingredientes saudáveis.

- Farinha, arroz e pão integral têm menor taxa glicêmica que os refinados/brancos. Quando for fazer suas compras, procure alimentos com a palavra “integral” ou “grãos inteiros” no rótulo.

- Acho que nem precisa falar que o açúcar deve ser exterminado da dieta, não é? Opte pela sucralose ou pela estévia orgânica.

- Outra dica é começar o almoço e o jantar pela salada. Além de serem superimportantes para nossa saúde, preenchem o estômago e fazem você comer menos carboidratos e calorias.

- Os produtos diet podem ser utilizados, mas não exagere, evite o excesso de alimentos industrializados em seu dia-a-dia!

- Se estiver acima do peso, tenha como meta o emagrecimento para ajudar na manutenção/redução da sua glicemia. Dieta + exercício físico com certeza além de melhorar sua qualidade de vida irão melhorar seu tratamento.

Viu como a alimentação pode sim ser gostosa, equilibrada e não ser o fim do mundo? Mas claro, sua dieta terá que passar por uma transformação e uma mudança de hábitos que deverão ser feitos em conjunto com um Nutricionista para que não hajam prejuízos ao seu organismo.

Lembre-se sempre que uma alimentação saudável e equilibrada é a chave para uma saúde perfeita!

Referências Bibliográficas:

- Plasma Vitamin C Level, Fruit and Vegetable Consumption, and the Risk of New-Onset Type 2 Diabetes Mellitus. Archieves of Internal Medicine. Vol. 168 No. 14, July 28, 2008
- Herbs - Spices - Sugars - Diabetes. Journal of Medicinal Foods June 2008; 11(2):275-81
- Curcumin ameliorates macrophage infiltration by inhibiting NF-κB activation and proinflammatory cytokines in streptozotocin induced-diabetic nephropathy. Nutrition & Metabolism 2011, 8:35 
- Kato A, Minoshima Y, Yamamoto J, Adachi I, Watson AA, Nash RJ. Protective Effects of Dietary Chamomile Tea on Diabetic Complications. J. Agric. Food Chem. 2008;56:8206–11.
- Caffeine Increases Ambulatory Glucose and Postprandial Responses in Coffee Drinkers With Type 2 Diabetes. Diabetes Care February 2008 vol. 31 no. 2 221-222
- Almond Consumption and Cardiovascular Risk Factors in Adults with Prediabetes. J Am Coll Nutr June 2010 vol. 29 no. 3 189-197



Fonte:  Liga da Saúde